O Filme Proibido Sobre Karen Carpenter Talvez Seja Um dos ‘Cults’ Mais Incomuns

Cena do filme proibido “Superstar: The Karen Carpenter Story”(1987) de Todd Haynes, no qual os personagens são interpretados por Barbies e Kens.

No filme Superstar: The Karen Carpenter Story de 1987, o diretor Todd Haynes usa bonecas Barbie para narrar a vida da cantora, dona de uma voz única e de um final trágico.

Em 4 de fevereiro de 1983, a cantora Karen Carpenter faleceu por complicações relacionadas a anorexia nervosa. Por seu status de grande estrela da música pop, dona de uma voz conhecida e reverenciada internacionalmente, sua morte forçou o mundo a falar e a se conscientizar sobre a doença, até então tida como tabu.

A vida da cantora, assim como sua luta com a doença e sua eventual morte, tornou-se tema para um dos mais infames filmes biográficos: Superstar: The Karen Carpenter Story (“Superstar (super estrela): A Estória de Karen Carpenter”), um dos primeiros filmes do aclamado diretor de Todd Haynes. (No título do filme, a palavra superstar faz referência ao título de uma das mais conhecidas canções dos The Carpenters, “Superstar”.)

Ao retratar a vida e a morte de Karen, o filme-curta também tornou-se uma das primeiras peças artísticas a falar sobre anorexia.

Todd Haynes é mais conhecido pelos filmes I’m Not Here (“Não Estou Lá”, 2008) e Far From Heaven (“Longe do Paraíso”, 2002). Muito embora seu filme ‘Superstar’ não seja seu único filme polêmico, este é o único que não pode ser exibido ou comercializado. Richard Carpenter, o irmão e parceiro musical de Karen, processou o diretor pelo uso indevido das músicas do conjunto “The Carpenters”.

O jornal The New York Times, em sua biografia de Todd, diz o seguinte sobre Superstar:

“Um docudrama psicológico sobre a vida e morte da cantora e vítima de anorexia Karen Carpenter, o filme misturou uma sátira afiada (mais óbvia no uso de bonecas Barbie para retratar os personagens) com uma perspectiva histórica e uma compaixão surpreendente. Infelizmente, ao ganhar considerável notoriedade nos festivais de cinema, a fama do filme foi atenuada com uma ação judicial contra Haynes movida por Richard Carpenter, o qual foi retratado no filme de uma forma não muito lisonjeira. A ação judicial que Richard moveu fez com que Superstar desaparecesse quase por completo dos cinemas e do mercado de vídeos. Não surpreendentemente, o filme se tornou um clássico da pirataria”.

Infelizmente não há uma versão legendada em português do filme. Por ser um filme que vive no submundo da pirataria e dos compartilhamentos, desde que sua cópia saiu do VHS para DVD e cópias e mais cópias foram feitas, a maioria das versões disponíveis apresentam uma baixa qualidade de imagem. Mas abaixo vai uma boa versão disponibilizada por um usuário do site Vimeo:




Um curto e bem interessante artigo do Site Dangerous Minds, analisa o filme. Leia abaixo.

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O Proibido Filme-Arte ‘Superstar: The Karen Carpenter Story’, É o Filme Sobre Música Mais Esquisito Já Feito?

O diretor Todd Haynes é bem conhecido pelas suas representações de iconografias musicais. Velvet Goldmine foi um épico do glam rock, com personagens baseados em David Bowie e Iggy Pop, enquanto o I’m Not There (“Não Estou Lá”) apresenta sete atores diferentes representando facetas “fictícias” da personalidade ou da mística de Bob Dylan. Ambos os filmes distorcem a realidade com interpretações estilizadas, mas nenhum deles toma uma fração da liberdade que Haynes exercitou no seu filme projeto de pós graduação de 1987, Superstar: The Karen Carpenter Story.

O filme começa com a morte de Karen, depois usa flashback para narrar sua ascensão à fama. O filme tem um formato espasmódico—alternando entrevistas com pessoas periféricas da indústria musical, imagens aleatórias, e uma elaborada e fascinante mise-en-scène para as reencenações usando bonecas da Barbie e dublagens melodramáticas. Na verdade, em referência a anorexia de Karem, Haynes talhou com uma faca a sua efígie-Barbie para simular o emagrecimento do corpo da cantora. Esta é uma representação sombria de uma morte lenta, Karen e Barbie, ambas ícones da perfeição estadunidense, definhando diante de nossos olhos.

Tecnicamente, a exibição de Superstar: The Karen Carpenter Story é ilegal, muito embora desde do advento do YouTube esta ilegalidade seja discutível (há cópias no YouTube que datam de 2012). Richard, o irmão de Karen, processou Haynes por violações de direitos autorais. O MOMA (Museu de Arte Moderna de Nova York) tem uma cópia mas nem mesmo eles podem exibir o filme. Mesmo que Haynes não tivesse usado as músicas dos The Carpenters, Richard teria encontrado outras bases para uma ação judicial. Haynes retrata Karen como vítima da sua narcisista e tirânica família, e até chega a sugerir que Richard estava no armário.

É difícil não simpatizar com Richard Carpenter que provavelmente viu o filme como uma mera e repulsiva exploração sensacionalista. O filme é uma peça de arte estranhamente invasiva e voyeurística, e poderia ser classificada como totalmente antiética por seu formato ambíguo de ficção semiográfica. O filme é também hipnótico, com uma narrativa convincente e um experimentalismo pioneiro que o torna um dos grandes clássicos cults.

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Superstar: The Karen Carpenter Story não deve ser confundido com o filme feito para a TV, The Karen Carpenter Story de 1989, um outro cult—principalmente para os fãs dos The Carpenters—que é bem mais ‘limpinho’, e que tem uma versão legendada em português no Youtube.

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Fonte: Dangerous Minds; The New York Times.

2 comentários:

  1. Richard agiu certo ao proibir o filme, é muito ruim e desrespeitoso. Entretanto, não deixei de assistir porque sou fã da dupla.

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  2. Qualquer alusão pejorativa, não retrata nem diminui o conceito que está dupla fez de bom para a nossa adolescência sadia.

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