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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
O italiano Fortunio Liceti (1577—1657), amigo de Galileo Galilei, é um nome reconhecido na história da medicina e no estudo de anomalias naturais. Porém, as ilustrações de autor desconhecido contidas nas edições de 1634 e na de 1665 de seu livro De monstruorum, são as atuais responsáveis por imortalizar o nome do médico, filósofo, e cientista.
As ilustrações do livro De monstruorum causis, natura et differentiis revelam como as anomalias e deformidades, humanas e animais, eram descritas visualmente no século 17.
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
Em seu livro De monstruorum causis, natura et differentiis (“Sobre a Natureza, as Causas e as Diferenças dos Monstros”), Liceti descreveu e classificou uma variedade de anomalias de desenvolvimento e, pela primeira vez, estas foram classificadas com base na sua morfologia, e não na sua causa. Mesmo assim Liceti forneceu algumas explicações para a ocorrência de anomalias, incluindo a limitação do útero, problemas na placenta, e a adesão do líquido amniótico com o embrião. Desta maneira, ele foi o primeiro a reconhecer que as doenças fetais poderiam causar à má formação sem, no entanto, tratá-las com horror.
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
A primeira edição do livro é de 1616, edição esta que não continha ilustrações. A segunda edição do livro, e primeira a apresentar as famosas gravuras, foi feita em 1634 pelo editor Paolo Frambotti, em Pádua—mesmo local da edição de 1916. O livro recebeu outra edição em 1665 por Sumptibus Andreae Frisii em Amsterdã. Nesta edição de 1665, segundo o site de livros raros David Brass Rare Books, foram adicionadas mais 15 gravuras—e outros sites dão autoria a algumas destas ao próprio editor, Andreae Frisii. A autoria das gravuras não é conhecida—e nós aqui do cúlti&pópi, não pudemos encontrá-la—, mas é mencionado em um dos textos sobre o livro De monstruorum, que tais ilustração já haviam sido usadas em outras obras bem anteriores à obra de Liceti.
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
“O trabalho de Liceti, embora não seja o primeiro sobre o tema de deformidades na natureza, foi talvez o mais influente daquele período. Após a publicação deste livro houve um grande aumento no interesse em “monstruosidades” por toda a Europa: pigmeus, supostas sereias, fetos deformados e outros enigmas da natureza foram colocados em exposição e amplamente discutidos, tornando-se o circo de aberrações da época. No entanto, ao contrário de muitos de seus contemporâneos, Liceti não viu a deformidade como algo negativo, como o resultado de erros ou falhas no curso da natureza. Ao contrário, ele comparou a natureza a um artista que, confrontado com alguma imperfeição no material a ser moldado, engenhosamente cria uma outra forma ainda mais admirável. ‘Diz-se que eu vejo a convergência entre a natureza e a arte’, escreveu , ‘porque ambas quando não são capazes de fazer o quê querem, elas pelo menos fazer o quê podem’”. (Public Domain)
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
“No início dos anos 1500, a lenda sobre um bebê nascido com asas de morcego, um olho localizado em seu joelho e garra de águia no lugar de um dos pés, rapidamente se espalhou por toda a Europa.
Com cada nova narrativa da estória, a criatura tornou-se mais exagerada.
Os cientistas agora especulam que 'O Monstro de Ravenna' sofria de um defeito autossômico [relativo ao cromossoma que contém a maior parte dos genes não sexuais, cromossoma não sexual] de nascimento conhecido como síndrome de Roberts. Pelo fato de que pouco se sabia sobre genética e mutação durante o período inicial da história moderna, muitas pessoas viram essas anormalidades físicas como indicações sinistras da ira divina. O filósofo italiano e cientista Fortunio Liceti (1577-1657) argumentou que as alterações eram exemplos de maleabilidade da natureza e que deveriam ser vistos com admiração em vez de horror.
Liceti escreveu 'De Monstrorum Natura, Caussis, et Differentiis Libri Duo', que detalha as aberrações físicas—reais e imaginárias—e tentou explicar as causas para tais condições. (…) o livro inclui descrições e imagens de humanos siameses, animais—principalmente cães, lobos e elefantes—com cabeças humanas e de humanos com chifres, trombas e cascos.
Liceti escreveu o livro em uma tentativa de levar as pessoas a verem que as anormalidades físicas deveriam estar em exibição por causa de suas raridades. A obra oferece um dos primeiros sistemas de classificação de anomalias genéticas e de mutações, e se manteve até o século 19 como uma fonte de referência bem respeitada sobre questões relativas à sexualidade e embriologia”. (“Raro livro de século 17 examina Anomalias Anatômicas”; Artigo de Dan Knapp; University of Southern California)
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Detalhe da ilustração do “Monstro de Ravenna”. Reprodução/Internet, Biblioteca da Universidade do Sul da Califórnia |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
“O tratado sobre monstros de Liceti tem sido classificado como uma obra-prima da credulidade. É uma coleção de tudo o que a imaginação de ambos os antigos e os modernos foi capaz de relacionar com monstruosidades humanas e animais. Introduzir gravuras, feitas em placas de cobre, representando monstruosidades curiosas e fantásticas, certamente foi uma forma de divulgar o livro criada por editores astutos. O livro tornou-se muito popular e teve várias edições feitas. Uma tradução francesa apareceu em Descrição anatomique de Jan Palfyn em 1708. Uma outra tradução francesa foi publicada por F. Houssay em 1937”. (Bibliotheca Systema Naturae)
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
“Registros pictóricos de malformações foram feitos muito antes do homem dominar a escrita—alguns destes registros são encontrados em gravuras rupestres da Idade da Pedra. Durante o século XVI livros sobre monstros eram populares. O famoso cirurgião francês Ambroise Paré catalogou todos os casos por ele conhecidos. O seu livro sobre monstros (1573) é ilustrado com xilogravuras retiradas, na maioria dos casos, de obras anteriores. A maioria das 70 placas de cobre presentes na obra de Liceti sobre o mesmo assunto são cópias aperfeiçoadas das xilogravuras apresentadas no livro de Paré [veja aqui algumas figuras do livro de Paré] e de outras obras do século XVI, e incluem criaturas fantásticas decorrentes da relação dos seres humanos com animais, obviamente, elaboradas a partir de boatos. As esplêndidas ilustrações mostram uma série de deformidades, tanto humana e animal, bem como uma mistura dos dois, como sátiros, homens-pássaro, homem-elefante etc., mas também de malformações reais de grande interesse teratológico, como gêmeos siameses, hermafroditas e ciclope”. (Bibliotheca Systema Naturae)
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Ilustração de Siameses. Reprodução/Internet, Biblioteca da Universidade do Sul da Califórnia. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
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Ilustração da edição de 1665 do livro De monstruorum de Fortunio Liceti; Reprodução/Internet, Public Domain. |
“Liceti, latinizado como Licetus, nascido perto de Gênova, disse ter sido batizado com o nome de Fortunio por ter sobrevivido a um parto muito prematuro—acredita-se que antes do sétimo mês. Seu pai, que era médico, cuidou dele com muito cuidado e deu-lhe uma excelente educação. Fortunio Liceti graduou-se em Bolonha e em 1609 tornou-se professor de lógica e física aristotélica em Pisa, professor de filosofia na Universidade de Pádua desde 1613, e mais tarde aceitou uma cátedra em Bolonha. Por fim, ele foi chamado de volta a Pádua como professor-chefe de teoria da medicina, posição que ocupou até sua morte em 1657”. (Bibliotheca Systema Naturae)
c&p
Fonte: Public Domain; Internet Archives; Bibliotheca Systema Naturae; University of Southern California.
Esse tomava algumas...
ResponderExcluirisso é tão impressionante!
ResponderExcluirEu amo coisas sobre qualquer tipo de anomalias, e acredito que tudo isso que foi dito possa sim ser real! mas vocês, não estão preparados para essa conversa😁
ResponderExcluirObrigado pelo comentário e, não, certamente não estamos preparados para discutir o quão real estas anomalias possam ser. :)
Excluirque loco
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