No Dia Internacional da Mulher Devemos Refletir Sobre o Quê Estamos Ensinando Às Nossas Crianças


(Imagem: Reprodução/Internet)

Hoje é o Dia Internacional da Mulher e como já virou tradição, o dia de celebração do sexo feminino acaba se tornando em um dia de tristeza pela ainda existente violência que atinge milhões de mulheres em todo o mundo.

Podemos nos culpar por isso se levarmos em consideração a forma pela qual educamos nossas crianças? Por quê colocamos tanta importância nas cores rosa e azul e não nos preocupamos tanto em preparar meninos e meninas a lidar com as diferenças de gêneros de forma não hierárquica?

Claramente, se os casos de violência contra as mulheres não se extinguem ao passar do tempo é porque existe uma ideologia sexista sendo perpetuada de pais (pai e mãe) para filhos (meninas e meninos); existe um ciclo intergeracional que perpetua um corportamento violento dirigido às mulheres.

E essa violência contra as mulheres vem aumentando em todo o mundo conjuntamente com o aumento populacional. No Brasil não é diferente. Muito pelo contrário. Dados do IPEA-Instituto de Pesquisa EconômicaAplicada divulgados em setembro do ano passado, contabilizam “16,9 mil feminicídios, ou seja, ‘mortes de mulheres por conflito de gênero’, especialmente em casos de agressão perpetrada por parceiros íntimos”, números que refletem o período de 2009 a 2011.

E mesmo depois da Lei Maria da Penha entrar em vigência em 2006, foi observado um “sutil decréscimo da taxa” naquele período, mas “imediatamente após a vigência da lei, e, nos últimos anos, o retorno desses valores aos patamares registrados no início do período”. Ou seja, foi constatado que “não houve influência capaz de reduzir o número de mortes, pois as taxas permaneceram estáveis antes e depois da vigência da nova lei”.

E é por isso que ao comemorar o Dia Internacional da Mulher temos obrigatóriamente que pensar nas vítimas da violência sexista, fato que torna o dia de celebração em um dia muito triste, um dia de luto.

Ao mesmo tempo, ainda podemos comemorar a luta que várias mulheres travaram nestes últimos anos contra os abusos que elas sofrem nas suas rotinas diárias, como através das manifestações públicas de repúdio contra a violência e o abuso contra a mulher da Marcha das Vadias.

A criação de uma lei para coibir essa violência, mostrou que não é só por aí. No entanto, isso também mostra que o problema é fundamentalmente estrutural.

Então podemos pensar sobre o quê estamos fazendo dos nossos meninos? Pensando nisso é que faz deste dia o momento de forçar e lembrar os homens e mulheres, pais e mães de filhos homens, que o respeito integral às mulheres é a primeira lição da cartilha de como ser macho. Os pais e as mães têm o dever primeiro de ensinar aos seus filhos a ver e a entender as mulheres como socialmente iguais e não como objetos de um possível desejo animal de sexo ou de prática da violência. Para isso, os pais e as mães também devem aprender o verdadeiro significado do quê é ser Homem.

Também devemos pensar sobre o quê estamos fazendo com as nossas meninas? É também necessário ensinar às nossas meninas a terem a mesma ambição com a qual os meninos aprendem a ver o futuro. Nossas meninas, nossas garotas e nossas jovens devem sonhar com ciência e com tecnologia, elas devem sonhar com os estudos, e ter alegria em se formarem em todos os níveis da educação formal.

Elas podem seguir o sonho de ser, a hoje tão estimada, princesa ao mesmo tempo em que sonham em ocupar vários cargos públicos, plantões medicos, assentos de motoristas de caminhão, carros, de empilhadeiras, elas podem sonhar em usar aquele capacete de engenheiras e arquitetas, a menina pode sonhar em ser uma honrada cozinheira e uma respeitada empregada doméstica. As meninas devem aprender que elas também fazem parte do jogo; elas devem aprender a apreciar serem respeitadas.

(Imagem: Reprodução/Internet)


A verdade é que todos os dias nós reinforçamos noções de gêneros bem arcaicas, muito antigas e quê agora entram fortemente em conflito com a realidade deste novo século. E com isso também testemunhamos, já por algum tempo, o sentimento e medo do homem em ser emasculado, seja quando vê a mulher também encarando o trabalho duro para ajudar no sustento da família, quando vê a mulher atuando em áreas e ocupando cargos que eram territórios exclusivamente masculinos, ou quando ele vê a mulher recebendo um salário maior. Nós ensinamos aos meninos a não suportar a perda, e ensinamos as meninas a não sonhar e a não competir.

Ao completarem 3 anos de idade, hoje em dia as meninas ganham estojos de maquiagem que se juntam às tradicionais bonecas; e os meninos continuando ganhando carrinhos, vídeo-games, e aeronaves com controle remoto. Nós escrevemos os papéis que eles vão atuar no futuro, queira ou não, através dos mais minúsculos gestos e das mais minúsculas ações que pensamos muitas vezes serem inofensivas.

No Dia Internacional da Mulher, temos que pedir aos pais e às mães que ensinem à nossa menina brasileira que ela não precisa de um homem para justificar sua condição natural de mulher, ou mesmo como um dispositivo de afirmação de sua feminilidade. E, ao mesmo tempo, ensinar ao nosso menino brasileiro a ser forte e saber perder; ensinar-lhe que ele não se tornará menos homem caso sua namorada, mulher ou companheira lhe deixe, e que por isso, ele não necessitará matá-la nem por amor, nem por pura dependência emocional, e muito menos para sustentar sua falsa moral masculina diante de seus amigos, vizinhos e compadres.

Segundo a ONU, cerca de 70% das mulheres sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida. Isto faz com que a data de hoje se torne um momento de se pensar em estratégias para dar fim a este ciclo intergeracional de diminuição da mulher na sociedade. Por isso temos que pensar sobre o quê estamos colocando na cabeça das nossas crianças e começar a dar conta que as tão ainda importantes diferenças entre azul e rosa não são absolutamente nada, principalmente em comparação ao luto do femicídio.

Assim, um feliz Dia Internacional da Mulher para todas as mães e todos pais que ensinam aos seus meninos a serem Homens de verdade e seres humanos completos; e que ensinam as suas meninas que elas são tão importantes quanto qualquer homem na face da terra. E que assim eles possam ensinar o mesmo a seus filhos e filhas, e assim por diante...



c&p


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