Famigerada Adolescência: A Entrevista de Jaden e Willow Smith Ao The New York Times

Imagem: Willow e Jaden Smith (Reprodução/Intenet)

Os filhos do ator Will Smith curtem o holofote e recebem muita atenção mesmo não sendo tão bons no que fazem. No dia 17 de novembro deste ano, em entrevista para o Blog “T Magazine” do jornal The New York Times, o casal de herdeiros dos famosos atores Will Smith e Jada Pinkett Smith, falam sobre a profundidade de si mesmos.

Leia a entrevista abaixo.

Jaden Smith de 16 anos, e Willow Smith, de 14, estão lançando os seus respectivos CDs este mês. Mas a entrevista não se concentrou neste fato. Eles bateram um papo cabeça pra lá de Marrakech, e transcenderam o zen em linguagem adolescêntica. Filosofaram sobre vida, sobre o conceito de tempo, educação, e outros tópicos altamente existenciais.

A entrevista foi recebida pela mídia internética como um acontecimento hilário, ininteligível, ridículo, e insano.

O Site Gawker apresenta um artigo com o título, “Cada Detalhe Sobre Essa Entrevista de Jaden e Willow Smith É Uma Doideira”. O artigo do Site Mashable apresentou os “6 momentos realmente profundos da bizarra entrevista”. O Site Jezebel afirma que a entrevista “é estranha exatamente como você pode imaginar”. E o Site UpRoxx Movies declara que a entrevista de Willow e Jaden no New York Times é “insana”.

Mas o artigo da revista online Salon, em seu título mostra um certo equilíbrio sobre o que se passa dentro daquelas cabeças ainda em formação, “Porque Aquela Entrevista Insana de Willow e Jaden Smith é Tão Fantástica: Agora podemos parar de fingir que os filhos de celebridades são apenas crianças normais”.

Celebridades deixam de ser pessoas normais quando se tornam celebridades, passando a viver uma vida de atenção e de tratamento especial. Então, o que dizer de seus filhos, que mesmo antes de nascerem se tornam, por tabela, alvo de atenção extrema e incessante. No caso de Jaden Smith, sabemos que seus pais vêm o empurrando pra debaixo dos holofotes—e pra dentro das nossas goelas—desde a mais tenra idade.

Vejamos a já famosa entrevista:

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T Magazine: O quê vocês andam lendo?
Willow: Física quântica. Osho.

Jaden: The Ancient Secret of the Flower of Life (“O Antigo Segredo da Flor da Vida”) e textos antigos; coisas que não podem ser pré-datadas.

T: Estou curioso sobre a sua experiência de tempo. Você acha que a vida está se movendo muito rapidamente? A sua música é uma forma de dar um tipo de virada nesse ritmo e de se refletir sobre a vida?
Willow: Quer dizer, na minha visão de tempo, eu posso fazê-lo ser lento ou rápido, conforme eu quiser, e é assim que eu sei que tempo não existe.

Jaden: Está provado que a forma como o tempo se move para você depende de onde você está no universo. O tempo é relativo a seres e a outros lugares. Mas, ao nível de estar aqui na terra, se você está atento em um momento, um segundo pode durar um ano. E se você não estiver atento, toda a sua infância, sua vida inteira pode passar em seis segundos. Mas tempo também é aquela tal coisa na qual você pode se perder.

Willow: Porque isto é viver.

Jaden: Isso mesmo, porque você tem que viver. Tem um físico teórico dentro de todas as nossas mentes, e você pode falar e falar, mas isso é viver.

Willow: É a ação de viver.

T: Quais são alguns dos temas recorrentes no trabalho de vocês?
Jaden: A “P.C.H.” 
[Pacific Coast Highway, Estrada da Costa do Pacífico] é um deles; a melancolia do oceano; a melancolia de todo o resto.

Willow: E a sensação de estar como, isto é um fragmento de uma realidade holográfica feita por uma consciência mais elevada.

Jaden: [cai na gargalhada] Assim que eu e a Willow começamos a fazer música, isso é uma coisa que o mundo inteiro se distanciou, é… Ok, Willow e Jaden destravaram uma outra fase de honestidade. Se esses dois podem ser honestos sobre tudo, então nós podemos ser mais honestos.

T: De que maneira vocês se aperfeiçoaram?
Willow: Passando a me importar menos com o que todo mundo pensa, mas também me importando cada vez menos com o que minha mente pensa, porque o quê a sua mente pensa, às vezes, é aquilo que te deixa triste.

Jaden: Exatamente. Porque a sua mente tem uma dualidade nela. Então, quando um pensamento entra na sua mente, não é apenas um pensamento, tem que saltar pra fora dos dois hemisférios do cérebro. Quando você está pensando em algo feliz, você está pensando em algo triste. Quando você pensa sobre uma maçã, você também pensa sobre o oposto de uma maçã. É uma ferramenta para a compreensão da matemática e das coisas com duas realidades distintas. Mas para a criatividade: Isso vem da unicidade. Criatividade não é uma consciência de dualidade. E você não pode ouvir a sua mente nesses momentos—ela vai lhe dizer o qu
ê você pensa e também o quê as outras pessoas pensam.

Willow: E então você pensa sobre o qu
ê você pensa, o quê é muito perigoso.

T: Vocês vêm a sua nova música como uma continuação do trabalho anterior de vocês?
Jaden: Eu acho que a Willow evoluiu bastante.

Willow: Quer dizer, “Whip My Hair” foi algo ótimo. Quando eu olho para trás, eu penso: “Uau, eu fiz tanto para as jovens negros e meninas em todo o mundo, dizendo-lhes que eles podem ser eles mesmos e não terem medo de serem eles mesmos”. E eu estou fazendo isso agora, mas de uma maneira totalmente diferente, vindo de uma fonte de energia e de verdades universais. As pessoas vão ficar, tipo, “Oh, eu não vou fazer uma música sobre como eu exatamente me sinto, todos as coisas ruins que eu sinto, e lançá-las ao mundo pra que todos possam me julgar”. Mas, pra mim, isso é uma parte de mim, é a minha jornada artística.

Jaden: Isso é outra coisa: Qual é o seu trabalho, o que é a sua carreira? Não... Eu sou eu. Eu vou colocar a minha marca em tudo neste mundo.


T: Como vocês escrevem as suas músicas? Qual é o processo de vocês?
Jaden
: A Willow apenas entra na cabine do estúdio e começa a cantar.

Willow: Quer dizer, a batida é geralmente o quê me move. Ou eu penso em conceitos. Então, quando eu ouço uma batida que é, tipo, uma elaboração daquele conceito, eu apenas disparo.

Jaden: Ela faz estilo-livre e aí ela vai descobrindo o quê ela gosta. A mesma coisa acontece comigo.

Willow: Você junta os pedaços. Você junta aqueles pequenos momentos de inspiração.

T: O que vocês procuram nesses momentos de junta-pedaços?
Jaden
: Honestamente, nós estamos apenas tentando fazer música que achamos manêra. Nós não achamos que muitas das músicas que tão por aí sejam tão manêras. Então a gente faz a nossa própria música. Não tem uma música de qualquer outro artista que a gente goste de ouvir, sabe?

Willow: Isso é o que eu faço com os romances. Ainda não existem romances que eu goste de ler, então eu escrevo minhas próprias estórias, e aí eu as leio de novo, e isso é a melhor coisa.

Jaden: Willow vem escrevendo os seus próprios romances desde que ela tinha 6 anos.

T: Mas essa colaboração inspira vocês a seguirem direções diferentes?
Jaden
: Totalmente.

Willow: Eu e Jaden acabamos de descobrir que as nossas vozes juntas soam como chocolate. Soam tão boas quanto o gosto do chocolate.

T: Como é que a moda se relaciona com o que vocês fazem?
Jaden: Willow acaba de lançar uma música (“Cares”), deixe-me citar a letra: “Eu não me importo com o que as pessoas dizem”. Nós dois realmente não nos importamos. Eu gosto de vestir coisas que eu faço, mas eu as uso como se eu estivesse usando qualquer roupa. Fica legal, às vezes.

Willow: Eu gosto de ir a lugares onde há um monte de câmeras vestindo o que eu tenho de alta-costura. Então eu só posso ir lá e ficar tipo, “Isso, isso, eu tô arrasando”. Mas no meu dia-a-dia eu uso roupas que eu possa subir em árvores.

T: Quais são as coisas que valem a pena se ter?
Jaden: Algo que vale a pena comprar pra mim é, tipo, o Final Cut Pro ou o Logic.

Willow: Uma tela. Tintas. Um microfone.

Jaden: Qualquer coisa que você possa chocar alguém. A única maneira de mudar alguma coisa é chocando. Se você quiser que os seus músculos cresçam, você tem que chocá-los. Se você quer que a sociedade mude, você tem que chocar as pessoas.

Willow: Arte é isso, 
é chocar as pessoas. Às vezes, chocando a si mesmo.

T: Você mencionou respiração anteriormente, e essa também é uma ideia que se repete em suas músicas.
Willow: Respiração é meditação; a vida é uma meditação. Você tem que respirar pra viver, por isso, a respiração é como você entra em contato com o espaço sagrado do seu coração.

Jaden: Quando os bebês nascem, a moleira deles sobem: Assim como eles tivessem, tipo, uma batida de coração nelas. Isso porque a energia está vindo através de seu corpo, pra cima e pra baixo.

Willow: Energia prana.

Jaden: É a energia prana porque eles ainda respiram pelo estômago. Eles se lembram. Os bebês lembram.

Willow: Quando eles estão no estômago, eles são tão conscientes, juntanto todos os seus ossos, juntando todos os seus ligamentos. Mas eles sofrem um choque com este mundo cruel.

Jaden: Por produtos químicos e essas coisas, e aí lentamente...

Willow: À medida que eles crescem, eles começam a perder.

Jaden: Você sabe, eles se tornam como nós.


T: Isso quer dizer que a educação, a lição mais difícil seria desaprender as coisas?
Willow
: Sim, basicamente, mas a coisa mais doida é que não precisa ser assim.

Jaden: O negócio é o seguinte: Escola não é autêntica porque ela tem um fim. Isso não é verdadeiro, não é real. O nosso aprendizado nunca termina. A escola para a qual a gente vai toda santa manhã, a gente vai continuar indo.

Willow: Pra sempre, até o dia que estivermos na nossa cama.

Jaden: As crianças que vão para a escola normal se comportam de maneira tão adolescente, tão angustiada.

Willow: Elas nunca querem fazer nada, estão tão cansadas.

Jaden: Você nunca aprende nada na escola. Pense em quantos acidentes de carro acontecem todos os dias. As aulas de direção? O quê isso? Eu ainda não tomei aulas de direção, porque se todo mundo que eu conheço já esteve em um acidente, eu não consigo ver como as aulas de direção possam realmente ajudar as pessoas.

Willow: Eu fui pra escola durante um ano. Foi a melhor experiência, mas foi a pior experiência. A melhor experiência, porque eu tava, tipo, “Oh, agora eu sei por que as crianças são tão deprimidas”. Mas foi a pior experiência, porque eu fiquei deprimida.

T: Então, qual é o próximo passo?
Jaden
: Eu tenho o objetivo de apenas ser a pessoa mais louca de todos os tempos. E quando eu digo a pessoa mais louca, eu quero dizer, tipo, eu quero fazer coisas de nível olímpico. Eu quero ser a pessoa mais duradoura do planeta.

Willow: Eu acredito que quando tivermos 30 ou 20 anos, estaremos escalando o maior número de montanhas que pudermos escalar.

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Jaden e Willow Smith são, indiscutivelmente, jovens inteligentes. Eles demonstram um grande interesse por coisas que muitos adolescentes atualmente consideram irrelevantes, tal como a leitura (de livros). Mesmo assim, a fala considerada “insana” é, de certa forma, a fala de qualquer adolescente: sabem de tudo mais do que qualquer um, e vão mudar o mundo. E, um grande Viva a isso! A diferença é que eles vêm adquirindo conhecimento e suas vozes, insanas ou não, fazendo sentido ou não, certamente encontrariam um canal de divulgação. E o canal desta vez, foi nada mais nada menos do que o The New York Times.

O artigo da revista Salon sobre a entrevista dos Smith’s observa que “Celebridades adoram fingir que estão criando crianças normais que não vivem em nenhuma bolha estranha. Claramente, isso não é verdade”.

Sendo filho de dois artistas já bem estabelecidos no mundo das artes, os dois adolescentes têm uma posição privilegiada no mundo. Eles não precisaram ralar, sofrer, lutar para lançar um CD, ou mesmo para estrelar um filme de grande orçamento em Hollywood, ou conseguir uma entrevista em um grande jornal ou revista. Esse privilégio é explícito para todos nós. Já na visão de Willow e Jaden, eles fazem arte que “ajuda os jovens negros”, e se acham pra lá de especiais—daí o tom que pode ser compreendido como esnobe, pois são mimados (e não se dão conta disso, porque como eles mesmo declaram: eles não se importam).

O crescimento existencial no qual eles parecem acreditar estarem passando, não consegue transcender o campo individual. Com base na entrevista, eles parecem—esperamos que somente pareçam—não ter uma preocupação com aqueles jovens que não “podem ser eles mesmos” por forças sociais, como os jovens negros vítimas da repressão policial que hoje são foco de manchetes jornalísticas e motivadoras de grandes manifestações políticas nos EUA. Sem falar sobre como eles se posicionam sobre a educação das escolas “normais”, sem mostrar qualquer interesse (talvez seja muito deprimente) pelas crianças e jovens que atendem escolas públicas aquém de “normais”.

Como filhos de celebridades, eles recebem tratamento especial (ou em português, tratamento “diferenciado”), o quê favorece que o crescimento existencial dos dois se encontre apenas centrado no ego.

Mas tudo isso é somente parte da, literalmente, famigerada adolescência. Adolescência dos absurdamente ricos, famosos, e liberados. E convenhamos, nem todos são ou podem ser uma Lorde.

c&p

8 comentários:

  1. Gente, essa traduçao nao está legal. Em algumas partes o texto eh embaralhado e nao da para entender..

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    1. Dina,

      Confesso que este foi um dos textos mais difíceis que traduzi até hoje, e com certeza gostaria que a tradução tivesse saido bem melhor.

      Vale a pena lembrar (não como defesa a minha tradução) que tal dificuldade em traduzir a entrevista dos jovens Smiths se concentrou basicamente no fato daquela entrevista ser um texto bem confuso--e totalmente "embaralhado"--até mesmo em inglês. Os dois jovens filhos de Will Smith não fizeram nenhum sentido. E isto explica a grandiosa 'má repercussão' que a entrevista teve na mídia, que em sua maioria a classificou como "louca".

      Eu não quis interferir demais no texto na tentativa de fazer o mesmo fazer mais sentido do que o faz em sua versão original. Preferi a fidelidade à total falta de sentido dos dois adolescentes.

      Não posso--e nem devo--pedir desculpas pelos Smiths, mas peço desculpas por não ter atingido o grau de perfeição que você buscava, ou mesmo a perfeição que 'eu' tento atingir quando faço uma postagem com textos traduzidos.

      Muito obrigado pelo seu comentário, e um grande abraço!

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  2. Já li esta mesma entrevista em outros sites e blogs e essa foi a que ficou mais clara na minha opinião. Parabéns. Ótimo trabalho!

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  3. Também li em outros sites mas aqui com certeza foi o melhor, o que se consegue entender mais claramente a entrevista.
    Bom trabalho!

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  4. Tem link da entrevista original? Queria ler em ingles pq em portugues tá msm meio dificil de entender...

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  5. Ignore meu comentário, achei aqui já :)

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  6. novos tempos.. osho está sendo ouvido e a era da ilusão vai acabar. parabens pra esses dois jovens conscientes do que é viver.

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  7. quem escreveu poderia ser mais impessoal, né?!

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