Artista Italiano Dá Vida A Pinturas Famosas

Usando o efeito 2.5D, o artista italiano Rino Stefano Tagliafierro em seu vídeo-curta “Beauty” (Beleza), dá vida a cerca de 100 obras famosas que emergiram desde a Renascença ao Romantismo, do Neo-Clássico, e de todas as escolas de arte entre esses períodos.

NOTA: Assista abaixo lembrando que durante um certo período (ainda indeterminado), o vídeo não estará mais disponível em sua versão completa, uma vez que o mesmo se encontra inscrito em inúmeros festivais internacionais.
Segundo Rino, o vídeo traz a beleza de volta à força expressiva dos gestos que emana da imobilidade das telas, animando um sentimento perdido nesta imobilidade. Ele explica que “estas imagens que a história da arte nos consignou enquanto movimentos congelados, podem hoje retornar à vida graças ao fogo da invenção digital”, e define o vídeo como um “tributo a arte e sua beleza desarmadora".

O artista Rino
O vídeo abre com as 4 primeiras linhas do Soneto 19 de William Shakespeare, abaixo na tradução de Thereza Christina Motta.

Tempo voraz, corta as garras do leão, 
E faze a terra devorar sua doce prole; 
Arranca os dentes afiados da feroz mandíbula do tigre, 
E queima a eterna fênix em seu sangue; 
Alegra e entristece as estações enquanto corres, 
E ao vasto mundo e todos os seus gozos passageiros, 
Faze aquilo que quiseres, Tempo fugaz; 
Mas proíbo-te um crime ainda mais hediondo: 
Ah, não marques com tuas horas a bela fronte do meu amor, 
Nem traces ali as linhas com tua arcaica pena; 
Permite que ele siga teu curso, imaculado, 
Levado pela beleza que a todos sustém. 
Embora sejas mau, velho Tempo, e apesar de teus erros,
Meu amor permanecerá jovem em meus versos. 


É difícil ficar sem pensar no sentido da palavra beleza após assistir o vídeo, bem como é difícil ficar sem refletir sobre o trabalho de Rino. Assim, a minha impressão do vídeo é a de que o artista apresenta a sua própria paixão pelos grandes mestres da pintura e por suas obras, e que a escolha do Soneto 19 ajuda a entender essa paixão bem melhor.


Ele divide o tema beleza em duas partes. A primeira parte, seguindo a sugestão do título do vídeo, apresenta a beleza segundo o nosso imaginário coletivo ocidental, ou seja, como algo terno, suave, puro, alvo, angelical, imaculado, materno, e infantil, para logo tomar a forma de algo amoroso, prazeroso, e feminino. Termina com o tema enquanto algo proibido, com a chegada do masculino, iniciando-se a 2a parte. A segunda parte, por outro lado, com mais imagens masculinas, mostra a beleza como algo degradante e sujeita ao perigo, tanto ao perigo do tempo quanto ao perigo do próprio homem que tenta desvendar os mistérios da vida através do seu próprio corpo e da natureza que o rodeia, e por assim fazer, os destrói.

Nesse sentido, o artista também parece seguir as linhas do soneto de Shakespeare questionando a sua própria intervenção nas clássicas obras-primas. Li em um site que também apresentava o trabalho do artista, um comentário que me chamou atenção ao chamar o vídeo de “vulgar” por tocar nessas obras clássicas.



Com isso surge a pergunta: Ao dar movimento às pinturas, poderia Rino estar maculando a beleza daquelas pinturas da mesma maneira que o tempo age sobre o belo? Ou simplesmente estaria ele, enquanto homem, tentando entendê-las por dentro (como em uma aula de anatomia) e assim as causando danos?

Bem, acredito que a intervenção que ele faz não degrada nem destrói, mas simplesmente ressalta e rejuvenesce a beleza das telas, o que parece ser a exata intenção do artista. Ou seja, o belo e sutil movimento dado aos trabalhos dos grandes mestres também é um movimento que retira tais obras de arte dos livros e das paredes dos museus, transportando-as para uma nova era, um novo tempo, movimento no qual elas encontram uma nova tecnologia artística, dando-lhes uma nova juventude. De uma certa forma, Rino resgata as belas obras das mãos do tempo mau, e isso sem destruir os livros de arte ou sem mesmo atear fogo nos museus, deixando intacta a autenticidade e a beleza de cada obra.



E falando em novas tecnologias, o 2.5D effect basicamente é a animação 2D (duas dimensões) em um espaço 3D (três dimensões). Às vezes o efeito é dado quando se move um objeto animado em 2D em um espaço 3D, e às vezes o efeito envolve o uso de truques de perspectiva e de sombra para um espaço 2D se parecer um espaço 3D mesmo usando-se um plano 2D. Entendeu?


Clique AQUI para visitar a página do artista.


c&p



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